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Marco Brunella foi pesquisador do CNRS
francês e trabalhou no Institut de Mathématiques de Bourgogne, em
Dijon. Começou a carreira matemática sob orientação de Alberto
Verjovsky, apresentando em 1992 a tese de dourorado na International
School for Advanced Studies, em Trieste. Antes de se estabelecer em
Dijon, trabalhou por algum tempo na Universidade de Bologna.
A partir daí desenvolveu obra matemática
extraordinária, concentrando-se no estudo de Folheações Holomorfas e
Geometria Complexa: fluxos transversalmente holomorfos, campos
completos no plano complexo, classificação birracional de folheações
em superfícies, variação plurisubharmônica da métrica de Poincaré
nas folhas de uma folheação, dentre outros temas.
Como matemático, nunca se exaltarão
suficientemente suas qualidades: profundidade, originalidade,
elegância, luminosidade das exposições.
Como cientista, impressionava pelo
desapego a homenagens e promoções, e pela dedicação profunda ao
trabalho de pesquisa, às vezes com tamanha intensidade que provocava
certo sentimento de abandono nos amigos. Mas os retornos eram sempre
motivo de enorme satisfação; ultimamente aceitava com prazer a
missão de divulgador do seu trabalho e dos caminhos futuros a serem
trilhados (o que sempre soava um pouco divertido, pois todos éramos
conscientes de que somente ele poderia fazê-lo). Tornou-se um
delicado explorador: via a Matemática com seus segredos e jóias
ocultas, sua missão era desvendá-los e anunciá-los. Manifestava em
ocasiões de sucesso um júbilo contido e suave, admirável pela
ausência de vaidade.
O IMPA teve o privilégio de recebê-lo
inúmeras vezes desde 1993; era um acontecimento no calendário da
Instituição sua vinda anual, sempre decidida e anunciada por ele
mesmo, tornando convites desnecessários e desprezando suporte
financeiro. Sua única exigência era ter uma habitação em Copacabana,
bairro onde se sentia inteiramente à vontade.
As áreas de Folheções Holomorfas e
Geometria Complexa perdem não somente um pesquisador. Perdem muito
da beleza que ele constantemente se encarregava de revelar.
Fonte:
IMPA | 29.01.2012 |
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